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Competências em Gerenciamento de Projetos – Parte 1 – Introdução

Tratar do tema competências, quando falamos de mercado de trabalho e desenvolvimento profissional, é uma coisa muito recente.

Foto: Alexandre Serpa

Estudos [1] mostram que  foi na década de 1980 que pesquisadores começaram a buscar um modelo de competências que atendesse as necessidades da gestão de recursos humanos. Isso surgiu da percepção de que a direção das empresas estava mudando a sua visão quanto à  mão de obra. Surgiam novas exigências na formação das equipes de trabalho.

Surgimento de  modelos de competências

No início da era da industrialização a mão de obra era avaliada pelo seu desempenho físico na realização das tarefas.  Com a evolução da mecanização e automação, entender os processos do trabalho passou a ser mais valorizado que a força bruta.

É a evolução dos conceitos tayloristas e fordistas, de uso produtivo do corpo e de produção seriada. Surgem a diversificação dos produtos, o valor da qualidade e personalização. Em consequência aparece a necessidade de os empregados terem capacidade de iniciativa e inovação.

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Kendriya Vidyalaya

Mas não havia um modelo que avaliasse as qualificações e comportamentos individuais utilizados no trabalho. Então se inicia a busca por um modelo referencial de competências. Para verificar o enquadramento do empregado à determinada função e avaliar seu desenvolvimento no decorrer da carreira.

A evolução do profissional de projetos

O gerenciamento de projetos surge no início do século XX. Isso acontece porque surge a necessidade de se administrar empreendimentos temporários, com objetivos específicos e que ninguém havia realizado até aquele momento. Projetos envolvendo grandes quantidades de matéria prima, mão de obra e novas tecnologias.

De acordo com Kerzner [2], na década de 1960 a formação dos Gerentes de Projetos acontecia a partir do estudo das vantagens e desvantagens das diferentes formas das organizações. Na década de 1970 começa a valorização dos conceitos de gestão de projetos através do estudo de metodologias de planejamento e controle. Mas a questão técnica e quantitativa ainda era, e continua sendo, muito importante.

A partir de então começa a evolução para inclusão de aspectos comportamentais e individuais no perfil do profissional de projetos.  E surgem os estudos de competências a serem desenvolvidas pelos Gerentes de Projetos.

Necessidade do desenvolvimento de competências em projetos

Os projetos são importantes vetores de mudanças nas organizações atuais. Mas,apesar da demanda crescente, a taxa de projetos que não cumprem suas metas ainda é alta [3].

Segundo o PMI  [4 e 5] , apenas 69% dos projetos atingem as metas estratégicas do negócio. As principais causas: Gestão da comunicação (66,3% dos entrevistados) e Gestão do Tempo (55,8% dos entrevistados). Responsabilidades do Gerente de Projetos.

Isto nos leva a questionar o perfil e a formação de alguns desses profissionais inseridos no mercado.

O Gerenciamento de Projetos é uma profissão em formação e já existem discussões sobre vários de seus aspectos. Uma delas é sobre quais são as competências de um gerente de projeto e como desenvolvê-las [6].

Percebemos, nos últimos anos, uma grande difusão de cursos de pós-graduação lato sensu em gerenciamento de projetos. Mas é gritante o fato que , de forma geral, estes não atendem às expectativas dos alunos quanto ao desenvolvimento de competências [7].

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Diogo Silva

Ainda de acordo com  PMI [8], as competências do gerente de projetos se dividem em três categorias: competência pessoais, competências de conhecimento e competências de desempenho. Observando esta divisão percebemos que os atuais cursos de formação em gerenciamento de projetos cobrem apenas uma categoria: as competências de conhecimento.  Isto faz com que os profissionais da área de projetos apresentem um grande gap em sua formação e competências.

Modelo de competência para o Gerente de Projetos

A partir da leitura dos tópicos anteriores, surge a seguinte pergunta:

Quais são as competências do Gerente de Projetos de alto desempenho e como desenvolvê-las?

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Judith Salomon

Para responder esta pergunta, gostaria de propor uma série de outros artigos em que possamos discutir o conceito de competências e um modelo que possamos aplicar na vida profissional  do Gerente de Projetos. Em breve voltamos neste assunto.

Aguardo você no próximo post, espero que  você tenha gostado e  continue nos acompanhando.

Equipe Difusão

info@difusaogp.com

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Referências

[1] ZARIFIAN, P. Objetivo Competência Por Uma Nova Lógica. Atlas, São Paulo, 2001.

[2] KERZNER, H. R. Gestão de Projetos – As melhores Práticas. Bookman, 2002.

[3] MARQUES JUNIOR, L. J.; PLONSKI, G. A. Gestão de projetos em empresas no Brasil: abordagem “tamanho único”? Gestão & Produção (UFSCAR. Impresso), v. 18, p. 1-12. 2011.

[4] PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Pulse of the Profession: Success Rates Rise. Project Management Institute, 2017.

[5] PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. PM Survey 2013. Project Management Institute, 2013.

[6] OLIVEIRA, E. L.; OLIVEIRA, E. A. Q.; ARAUJO, P. D. E. A. S. Competência do Gerente de Projetos: um estudo exploratório. In: XIII Mostra de Pós-Graduação da UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ, 2012, TAUBATÉ – SP. Anais do 17. Encontro de Iniciação Científica, 13. Mostra de Pós-graduação, 7. Seminário de Extensão e 4. Seminário de Docência Universitária. TAUBATÉ – SP: UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ, 2012.

[7] RUAS, R.; COMINI, G. M. Aprendizagem e Desenvolvimento de Competências: Articulando Teoria e Prática em programas de pós-graduação em formação gerencial. Cadernos EBAPE.BR (FGV. Online), v. Espec, p. 36-49. 2007.

[8] PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. PMCDF – Project Manager Competency Development Framework, 3rd ed.  PMI, 2017a.